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ATITUDE, PRECONCEITO E ESTEREÓTIPO
Regina Célia de Souza
Para compreender o que é o preconceito, convém entender primeiro o conceito de atitude baseado nos estudos da Psicologia Social.
ATITUDE é um sistema relativamente estável de organização de experiências e comportamentos relacionados com um objeto ou evento particular.
Para cada atitude há um conceito racional e cognitivo - crenças e idéias, valores afetivos associados de sentimentos e emoções que por sua vez levam a uma série de tendências comportamentais – predisposições.
Portanto, toda atitude é composta por três componentes: um cognitivo, um afetivo e um comportamental:
- A cognição – o termo atitude é sempre empregado com referência à um objeto. Toma-se uma atitude em relação à que? Este objeto pode ser uma abstração, uma pessoa, um grupo ou uma instituição social. - O afeto – é um valor que pode gerar sentimentos positivos, que por sua vez gera uma atitude positiva; ou gerar sentimentos negativos que pode gerar atitudes negativas. - O comportamento –a predisposição : sentimentos negativos levam a aproximação e negativos ao esquivamento ou escape. Desta forma, entende-se o PRECONCEITO como uma atitude negativa que um indivíduo está predisposto a sentir, pensar, e conduzir-se em relação a determinado grupo de uma forma negativa previsível.
CARACTERÍSTICAS DO PRECONCEITO:
É um fenômeno histórico e difuso; A sua intensidade leva a uma justificativa e legitimização de seus atos; Há grande sentimento de impotência ao se tentar mudar alguém com forte preconceito. Vemos nos outros e raramente em nós mesmos. EU SOU EXCÊNTRICO, VOCÊ É LOUCO!
Eu sou brilhante; você é tagarela; ele é bêbado. Eu sou bonito; você tem boas feições; ela não tem boa aparência. Eu sou exigente; você é nervoso; ele é uma velha. Eu reconsiderei; você mudou de opinião; ele voltou atrás na palavra dada. Eu tenho em volta de mim algo de sutil, misterioso, de fragrância do oriente; você exagerou no perfume e ele cheira mal.
CAUSAS DO PRECONCEITO:
Assim como as atitudes em geral, o preconceito tem três componentes: crenças; sentimentos e tendências comportamentais. Crenças preconceituosas são sempre estereótipos negativos.
Segundo Allport (1954) o preconceito é o resultado das frustrações das pessoas, que em determinadas circunstâncias podem se transformar em raiva e hostilidade. As pessoas que se sentem exploradas e oprimidas freqüentemente não podem manifestar sua raiva contra um alvo identificável ou adequado; assim, deslocam sua hostilidade para aqueles que estão ainda mais “baixo”na escala social. O resultado é o preconceito e a discriminação.
Já, para Adorno (1950) a fonte do preconceito é uma personalidade autoritária ou intolerante. Pessoas autoritárias tendem a ser rigidamente convencionais. Partidárias do seguimento às normas e do respeito à tradição, elas são hostis com aqueles que desafiam as regras sociais. Respeitam a autoridade e submetem-se a ela, bem como se preocupam com o poder da resistência. Ao olhar para o mundo através de uma lente de categorias rígidas, elas não acreditam na natureza humana, temendo e rejeitando todos os grupos sociais aos quais não pertencem, assim, como suspeitam deles. O preconceito é uma manifestação de sua desconfiança e suspeita.
Há também fontes cognitivas de preconceito. Os seres humanos são “avarentos cognitivos” que tentam simplificar e organizar seu pensamento social o máximo possível. A simplificação exagerada leva a pensamentos equivocados, estereotipados, preconceito e discriminação.
Além disso, o preconceito e a discriminação podem ter suas origens nas tentativas que as pessoas fazem para se conformar(conformidade social). Se nos relacionamos com pessoas que expressam preconceitos, é mais provável que as aceitemos do eu resistamos a elas. As pressões para a conformidade social ajudam a explicar porque as crianças absorvem de maneira rápida os preconceitos e seus pais e colegas muito antes de formar suas próprias crenças e opiniões com base na experiência. A pressão dos colegas muitas vezes torna “legal” ou aceitável a expressão de determinadas visões tendenciosas – em vez de mostrar tolerância aos membros de outros grupos sociais.
REDUÇÃO DO PRECONCEITO:
A convivência, através de uma atitude comunitária é , talvez a forma mais adequada de se reduzir o preconceito.
COMO FUNCIONA O ESTEREÓTIPO:
É um conjunto de características presumidamente partilhadas por todos os membros de uma categoria social. É um esquema simplista mas mantido de maneira muito intensa e que não se baseia necessariamente em muita experiência direta. Pode envolver praticamente qualquer aspecto distintivo de uma pessoa – idade, raça, sexo, profissão, local de residência ou grupo ao qual é associada.
Quando nossa primeira impressão sobre uma pessoa é orientada por um estereótipo, tendemos a deduzir coisas sobre a pessoa de maneira seletiva ou imprecisa, perpetuando, assim, nosso estereótipo inicial.
RACISMO:
É a crença na inferioridade nata dos membros de determinados grupos étnicos e raciais. Os racistas acreditam que a inteligência, a engenhosidade, a moralidade e outros traços valorizados são determinados biologicamente e, portanto, não podem ser mudados. O racismo leva ao pensamento ou/ou:ou você é um de nós ou é um deles.
- Postado por: André Cruz às 17h15
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Suposta Loucura
Paris não é apenas a Cidade Luz, é o lugar onde os sonhos podem acontecer e você descobrir, para sempre, que eles são possíveis. Ir para lá, era um desejo que de tão antigo, passou a ser quase que uma lenda para mim. Imaginava, tantas vezes, indo e não conseguindo ir, que a expectativa de ir de fato, virou folclore. O maior problema era ter uma companhia. Meu marido deixava claro que não tinha vontade de ir. Pensava em ir sozinha, mas não tinha coragem. Cogitava convidar alguém, mas desistia. Todos os obstáculos eram sempre transponíveis mas, lutar contra eles, vencê-los e justificá-los, tinha um tom de loucura. Sempre acabava com a nítida idéia de que eu era uma mulher querendo viver algo legítimo, ousado e proibido. Viajar sozinha? Para uma cidade romântica, e no coração da moda? Confesso que tudo isso girava em minha cabeça e não encontrava uma saída plausível. Ir em frente significava mistérios e senões. Não ir, era desistir do sonho e entregar-me ao comum, era dar à vida a constatação de que só se pode viver o que todos vivem e pensar assim, definitivamente, não me paralisava. Uma amiga sempre dizia: "Paris é a capital do mundo. Se você vai a qualquer lugar, passe por lá, na ida ou não volta. Pode ser sempre caminho e você começa ou termina com o melhor de todos os destinos". Isso me intrigava e desencadeava uma obstinação.
Toda essa vontade foi crescendo dentro de mim. Até que um dia, no meio de tantos devaneios e da dura realidade, me deparei com a perda de minha mãe. No início, fui tomada por um sentimento de urgência. Tudo parecia estar com seu tempo contado, pois eu sabia, ela se fora, sem realizar muitos de seus sonhos. Falava-me sobre eles e, repetidas vezes, me pediu para que não esquecesse dos meus, e mais ainda, não permitisse que alguém os destruísse, mesmo parecendo loucura. A consciência de que se morre, é o denominador para você entender o que veio fazer aqui, e se está fazendo o que lhe foi designado, de fato. Passado o tempo de aceitar o inaceitável, comecei a revirar meus sonhos, e a necessidade de realizá-los passou a ter vital importância. Ultrapassei todos os obstáculos. As mulheres são a melhor companhia quando quero explorar o mundo. Os homens não conseguem entender por que as mulheres se encantam com tantas lojas, com as dobras de um vestido, com a idéia de procurar algo que nem se imagina o que seja e acho isso natural. Então, convidei minha melhor amiga e começamos a fazer a melhor parte, os planos.
Quando seus amigos descobrem que você vai a Paris, todos os que já foram, têm algo a lhe dizer. Uma dica de uma praça que estava no seu livro de francês (Praça da Concórdia), de uma avenida (Champs-Elysées), de um restaurante com frutos do Mar Mediterrâneo (La Coupole), de um monumento (Arco do Triunfo), de uma loja sonho de consumo (Galeries Lafayette), de uma rua com vitrines maravilhosas dos dois lados, ditando a moda mundial (Rue St.-Honoré), de um museu (Louvre), de uma casa de espetáculos de Can-Can no Pigalle ( Moulin Rouge), de um café às margens do Sena(no último andar da Loja Samaritaine), de uma imagem dos telhados da cidade (sentada na escadaria da Igreja Sacré-Coeur), de passeio num barco (Bateaux-Mouches), num rio (Sena), de um vale (do Loire), de um castelo (Chenonceau), de uma história de amor e filosofia (Jean Paul Sartre e Simone de Bevaueur), de histórias de amor e luxúria ( Rainha Margot), de desamor e traição (Queda da Bastilha), de um escritor (Victor Hugo), de um escultor (Rodin), de uma história de amor com final infeliz (Camile Claudel e Rodin), de um pintor apaixonado pelas mulheres (Picasso), de um pintor impressionista (Monet) de um Imperador (Napoleão), de um bairro de estudantes ao redor da Sorbone (Quartier Latin), de um sebo imperdível (no mesmo bairro), de uma estação de metrô estratégica (Chatêlet), de uma rainha guilhotinada (Maria Antonieta), de um filósofo (Rousseau), de um parque da Disney que você nunca teve vontade de conhecer, mas estando lá é impossível não ir (Eurodisney), de uma ponte esculpida em ouro (Ponte Alexandre III), de dois Museus históricos (Petit Palais e Grand Palais), de uma princesa que morreu num túnel (Lady Diane), de um outro café imperdível, por 10 dólares, (no salão de chá do Hotel Ritz), e de uma Torre Eiffeil, que de cima dela você pode entender que o mundo é bem mais bonito do que alguém imaginou pintar.
Sapatos baixos, um tailler elegante e bem cedo saíamos para caminhar e admirar cada vitrine, cada rua, cada esquina. Fotografamos tudo. Algumas vezes nos olhavam sem entender o porquê de alguém fotografar um vestido de noiva. Tudo tinha seu significado, existia alegria por estarmos ali e principalmente, por sermos duas mulheres apenas vivendo cada instante de encantamento com poesia. As lembranças são tantas e tão boas, que desde que voltei, sempre tenho algo a lembrar sobre o que vi, vivi e senti. As emoções ficam guardadas e sem mais nem menos, aparecem, como agora, ao escrever, não posso deixar de recordar a emoção que senti ao pisar na Praça da Concórdia. Voltei no tempo. Nas aulas da sétima série, quando meu professor de francês, Monsieur Vincent, lia as lições e nos descrevia como seria esta praça. Lembrei-me dele no momento em que a avistei; e chorei. Talvez por imaginar que tudo aquilo só existisse nos livros de história e estava tendo o privilégio de vivenciar momentos idealizados e a partir de agora, inesquecíveis. Quanto mais o tempo passa, mais as lembranças ficam vivas e a sensação de ter cometido uma suposta loucura me enche de prazer. Ao realizar o sonho, me dei o melhor de todos os presentes. Acreditar nele e não achá-lo impossível, o tornou único. Ir em frente mesmo quando parecia ser devaneio e hoje poder lembrar de momentos tão eternos.
Virginia Pinto
- Postado por: André Cruz às 13h52
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Isso aconteceu num vôo da British Airways entre Johannesburgo e Londres
Uma senhora branca, de uns cinqüenta anos, senta-se ao lado de um negro. Visivelmente perturbada, ela chama a aeromoça: Qual é o problema senhora? Pergunta a aeromoça: - Mas você não esta vendo? Responde a senhora: - Você me colocou do lado de um negro: Eu não consigo ficar do lado destes nojento. Me dê outro assento. - Por favor, acalme-se. Diz a aeromoça. - Quase todos os lugares deste vôo estão tomados. Vou ver se há algum lugar disponível. A aeromoça se afasta e volta alguns minutos depois. - Minha senhora, como eu suspeitava, não há nenhum lugar vago na classe econômica. Eu conversei com o comandante e ele me confirmou que não há mais lugar na executiva. Entretanto ainda temos um assento na primeira classe. Antes que a senhora pudesse fazer qualquer comentário, a aeromoça continuou: - É totalmente inusitado a companhia conceder um assento de primeira classe a alguém de classe econômica, mas, dadas as circunstâncias, o comandante considerou que seria escandaloso alguém ser obrigado a sentar-se ao lado de pessoa tão execrável. E dirigindo-se ao negro, a aeromoça completa: - Portanto, senhor, se for de sua vontade, pegue seus pertences que o assento da primeira classe esta a sua espera. E todos os passageiros ao redor que, chocados, acompanhavam a cena, levantaram-se e bateram palmas.
DIA MUNDIAL CONTRA A DISCRIMINAÇÃO RACIAL
- Postado por: André Cruz às 13h01
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